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Na família, divisão de tarefas e mudança de hábitos

Maio 7, 2019
Maio 7, 2019 abilange

A fixação, em oito horas, da carga horária máxima a ser exercida diariamente por domésticas, babás e cuidadores pode alterar de forma considerável as relações familiares na classe média brasileira. Segundo psicanalistas, professores de direito e antropólogos, os avós tendem a assumir uma parcela maior do cuidado das crianças que, por sua vez, deverão ser cada vez mais convocadas a ajudar nas tarefas diárias do lar. Outro reflexo esperado é a expansão da participação dos homens nos afazeres domésticos, estacionada no mesmo patamar nos últimos dez anos. Em 2011, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, detectou que, enquanto os homens dedicavam 10 horas por semana às tarefas caseiras, as mulheres gastavam 22 horas — sendo que ambos trabalham fora. Para especialistas, os valores devem se aproximar.

Mas há quem discorde. Lenas Lavinas, professora do Instituto de Economia da UFRJ que acompanha de perto as questões de gênero, afirma que a mulher vai assumir as tarefas deixadas pelas empregadas, principalmente se houver filhos.

— Acho praticamente impossível redefinir a relação de poder dentro de casa. Temos uma matriz machista, que se acostumou a ser servida. Essa lógica não muda sem a empregada doméstica.

Já para a socióloga da Uerj, Clara Araújo, a mulher não vai aceitar carga maior de trabalho. Pode até absorver alguma tarefa, mas tenderá a pressionar por uma divisão igualitária.

— Não sou otimista a ponto de pensar que a cultura predominante irá mudar e os homens serão assim compreensivos. Deve “sobrar” para as mulheres, sejam elas esposas, mães ou filhas, mas não vejo este como um processo de fácil aceitação devido ao que já conquistamos.

A mulher hoje representa mais de 40% da força de trabalho brasileira e contribui com 41% da renda das famílias.

Patamar civilizatório mínimo

Hábitos da classe média também deverão ser postos em xeque. O almoço em família — aquele em que a empregada serve e aguarda o alerta para recolher os pratos — deve ser revisto. A nova lei dá direito às domésticas de terem até duas horas de refeição nos dias úteis. E esse horário de almoço, é claro, pode coincidir com o da família que a emprega.

— Outra mudança deve ocorrer à noite. A dona de casa não vai mais esperar o marido chegar do trabalho às 22h para pedir que a empregada sirva o jantar, porque isso vai pesar no bolso, com o pagamento de hora extra e de adicional noturno — afirma Abilange Freitas, especialista em relações do trabalho — A nova lei vai forçar mudanças de hábitos enraizados.

Para o professor de Direito da Escola de Negócios UBS Luiz Fernando Maciel, os pais vão ter que mostrar aos filhos “a necessidade de respeitar a dignidade do trabalhador”:

— Um dos maiores benefícios que essa nova legislação vai trazer é fazer a família refletir em conjunto sobre o que chamamos de patamar civilizatório mínimo.

Para o psicanalista Cesar Ibrahim, especialista em relações familiares, depois dos domésticos, os beneficiados serão as crianças.

— Já vejo no consultório pais que decidiram redefinir sua relação com o trabalho para passar mais tempo com as crianças.

Fonte: O Globo

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